Cachimbo é uma ferramenta que, através da sua estrutura, associada ao conhecimento do indivíduo, permite manipular a ciência dos elementos.
O cachimbo não é para uso recreativo, seu uso deve ser consciente.
O tabaco é uma erva de poder. Conhecida e muito respeitada como “Pai Tabaco” dentro de diferentes tradições dos povos originários, é usada como ferramenta de cura.
Nos quilombos, o povo preto, bantu, encontra os saberes dos povos originários e, nessa troca, também incorpora o uso do tabaco às suas práticas.
E aqui entendemos o uso do tabaco nos terreiros, não como vício, mas como erva de cura.
Seu uso acontece através da comunicação com a erva e da sua ativação para o trabalho.
Dentro dos ensinamentos que recebi, quando há o vício no tabaco, é quebrada a relação de respeito com o espírito da erva. A energia negativa é despertada. Ela te ataca e te faz mal.
Seguindo essa linha, cada erva, cada folha possui um espírito que habita aquele elemento. Manipular essas forças requer conhecimento, muito respeito e consciência.
Durante o trabalho com o cachimbo, o objetivo não é tragar a fumaça. Você movimenta a fumaça. Há todo um processo de transmutação do elemento que ocorre através da queima e favorece o mecanismo de comunicação com o mundo espiritual.
A energia é trabalhada e direcionada através do cachimbo.
Analisando a estrutura do cachimbo temos o fornilho (local onde se coloca o fumo, a erva) e o canutilho (por onde o ar é puxado).
Nessa estrutura, o fornilho representa o feminino, o útero – gerador de força. O canutilho representa o masculino, o falo.
Como resultado dessa junção, temos a fumaça.
A fumaça é responsável por levar os nossos pedidos para o mundo espiritual. Ela carrega a força para abrir os portais, para gerar movimento. É comunicação entre mundos. Nos conecta aos nossos mortos e ancestrais. É usada para benzer uma pessoa, defumar uma casa. Levar para longe aquilo que nos atrapalha, trazer para perto aquilo que nos faz bem. Seu uso depende da intenção de quem a manipula.
Saber manipular a ciência das ervas e o uso do cachimbo requer responsabilidade. Não é para qualquer um.
Uma frase do Pai Dayvid resume muito bem essa responsabilidade: “O cachimbo está para o Juremeiro assim como o bisturi está para o cirurgião”.
Essa ciência também está presente na nossa Família de Kimbanda. O iniciado recebe os fundamentos do cachimbo para a manipulação desse elemento sagrado e tem consigo uma ferramenta poderosa de defesa e ataque.
A mesma ciência que cura, limpa e protege também pode movimentar outras forças. A ferramenta não possui uma moral própria, quem dá direção ao trabalho é aquele que conhece e manipula seu fundamento.
Salve a Família Treme Terra!
Salve a Kimbanda!
Salve a Jurema Sagrada!
Salve o Pai Tabaco!
Salve o poder das ervas!
Salve o poder da fumaça!




