Todo processo de iniciação é carregado de uma série de dúvidas e expectativas, que costumam tirar o sono dos aspirantes nas noites que antecedem o ritual de passagem.
Muito se anseia pelo momento da iniciação, pelo processo que irá ser conduzido, quais serão as práticas, o que será enfrentado…
E são muitas as expectativas do pós-ritual: sentirei alguma transformação física, psíquica ou espiritual instantânea? Sentirei instantaneamente a conexão com o Morto que me acompanha?
Porém, na Kimbanda, há um processo praticamente instantâneo que a maioria dos aspirantes não espera, talvez não perceba e com certeza não anseia: encarar o espelho das sombras.
Para Jung, a sombra é o conjunto de aspectos inconscientes da personalidade que o indivíduo rejeita ou não reconhece em si, mas que continuam influenciando seu comportamento.
Já para alguns povos de origem Bantu, não se fala em “sombras”, mas em desequilíbrio: quando a força vital interna e a relação com a ancestralidade saem do eixo, fazendo a pessoa agir contra o próprio caminho.
Na psicologia analítica de Jung, encarar as sombras é uma opção consciente do paciente; já no pós-iniciação à Kimbanda, ela é inevitável: você vai encará-las querendo ou não.
Renascer exige sacrifício maior do que a imolação, exige mergulhar no seu limbo interior, reconhecer suas sombras, integrar as que forem possíveis e aprender a caminhar com aquelas que você optar por carregar, para que não mais seja dominado.
O primeiro desafio do Kimbanda será sempre o domínio de si mesmo, mesmo que essa seja sua missão para o resto dos dias que lhe esperam.
O primeiro passo na Kimbanda não é para quem busca poder, é para quem busca a verdade de si. Aqui, a iniciação não é promessa… é PROVA. É morrer para o que fomos e renascer para o que verdadeiramente devemos ser.
Salve Maioral!
Salve a Família Treme-Terra!
Salve Tata Caveira!
Salve a Kimbanda!
N’guzo ê!




