Mas afinal, o que a Kimbanda tem a ver com o Diabo?

Mas afinal, o que a Kimbanda tem a ver com o Diabo?

Essa com certeza é uma das perguntas mais comuns quando alguém ouve falar de Kimbanda, e a resposta costuma ficar ainda mais confusa quando se procura pelo tema na internet.

Mas talvez a pergunta correta seja outra: Por que Exu foi associado ao Diabo?

Pouca gente sabe, mas essa associação não nasceu no Brasil. Durante o século XIX, missionários cristãos que atuavam entre os povos iorubás passaram a associar Satanás a Èṣù (Exu) nas traduções bíblicas. Mais tarde, essa leitura foi reforçada pelos processos de moralização das religiões afro-brasileiras, criando divisões artificiais entre práticas consideradas “do bem” e práticas consideradas “do mal”, associação que acabaria recaindo também sobre a Kimbanda.

É claro que existe outro fator nisso tudo. Algumas vertentes modernas incorporaram elementos da magia europeia, da Goécia e até mesmo do culto a Lúcifer. Isso existe e não deve ser ignorado.

Mas uma coisa é influência posterior, outra coisa é origem.

Confundir as duas talvez seja um dos maiores erros desse debate.

Porém, talvez a principal essência disso tudo seja outra.

A Kimbanda é a morada de Exu e Pombagira.

Nela, eles não são escravos de ninguém, não respondem a nenhum Orixá e nem estão abaixo de nenhum Falangeiro. Não prestam contas a Deus e nem mesmo ao Diabo.

Na Kimbanda, tanto Exu e Pombagira quanto seus iniciados são senhores e senhoras de suas próprias vidas e responsáveis pelas consequências de suas escolhas. Não precisam de ninguém para salvá-los e nem mesmo para condená-los a inferno algum.

E talvez seja justamente isso que assuste tanta gente.

Porque chamar algo de diabólico sempre foi uma forma eficiente de afastar aquilo que não se consegue controlar.

Se você entende que o Diabo é a oposição a tudo aquilo que aprisiona o indivíduo, que o diminui, o condena e o afasta da sua própria essência, então sim, talvez você continue enxergando o Diabo na Kimbanda.

Não porque existam chifres, rabos ou forquilhas.

Mas porque Exu insiste em lembrar algo que a maior parte das pessoas prefere esquecer: você é responsável pela sua própria vida.

E isso sempre assustou mais do que qualquer inferno.

A Kimbanda não nasce demoníaca, ela foi historicamente demonizada.

Salve Maioral!
Salve a Família Treme-Terra!
Salve Tata Caveira!
Salve a Kimbanda!
N’guzo ê!